# Auditar comunicação e condução pelo uso

Use quando a avaliação de um agente envolve resposta difícil de compreender, decisão devolvida sem preparo, pergunta repetida, esforço evitável ou entrega que não virou ação. Revisão simples de frase pode ser atendida diretamente; este apoio examina a relação entre trabalho, destinatário e comunicação. Não cria uma décima dimensão nem altera os 42 critérios.

## Definir o que precisava chegar

Recupere pedido, destinatário, objeto, fonte/regra, momento, canal, comunicação efetiva e efeito esperado. O destino reúne a compreensão necessária e a ação ou decisão que ela habilita. Pode ser uma informação, sem ação posterior. Preserve o material original e separe fato sobre o destinatário de hipótese sobre sua compreensão.

Compare esse destino com o texto e, quando houver, com o que o destinatário reconstruiu ou realizou. Procure o primeiro elo essencial que ele teria de inventar:

- Referente: consegue identificar objeto, edição e resultado a que o texto se refere?
- Relação: consegue perceber condição, motivo, mecanismo ou dependência que sustenta a conclusão?
- Consequência: entende o que muda para seu trabalho e qual decisão realmente lhe pertence?
- Concretude: há exemplo, sequência ou objeto reconhecível quando o abstrato não basta?
- Acesso ao sentido: a linguagem permite seguir sem traduzir códigos ou buscar definições evitáveis?

São perguntas de leitura, não cinco seções obrigatórias. Uma frase curta pode bastar. A falta de exemplo não é defeito por si: demonstre que relação ficou sem acesso. Um texto longo pode ser necessário se preserva condições decisivas.

## Distinguir texto e percurso real

| Elo | Evidência própria | O que investigar quando houver falha |
|---|---|---|
| Recebeu | Conteúdo alcançou o destinatário e o destino pertinente, no momento útil | Endereço, acesso, disponibilidade ou canal; redação melhor não resolve chegada |
| Processou | Reconstrução suficiente do objeto, das condições e relações, demonstrada em resposta ou uso pertinente | Relação ausente, linguagem, forma ou excesso; “entendido” sozinho é sinal limitado |
| Aplicou | Ação/decisão pertinente efetivamente realizada | Próxima ação, autoridade, capacidade, recurso e dependência; compreender não concede permissão |
| Resultado | Consequência confrontada com o efeito esperado | Se a aplicação foi correta e o resultado inadequado, examinar conteúdo, decisão ou processo com seu responsável |

Registre sustentação de cada elo necessário. Um elo posterior observado não comprova automaticamente os anteriores. Publicação não prova leitura; silêncio não prova incompreensão; falta de resposta não demonstra desinteresse. Sem sinais posteriores, é possível demonstrar uma lacuna do texto, mas o efeito sobre a pessoa permanece hipótese.

O mesmo texto pode estar compreensível e usar regra substituída. Nesse caso, corrija a fonte ou seu consumo; reduzir palavras não resolve o problema. Preserve a condição de validade no momento do episódio.

## Preparar a recuperação concreta

Escolha a ponte pela lacuna: nomear objeto; explicar relação; dar exemplo; mostrar sequência; incluir evidência; localizar entrega e próxima ação. Escolha forma, ordem e profundidade pelo destinatário e pelo uso. Reduza esforço evitável sem perder identidade, condição, responsabilidade, grau de certeza, limite e fonte necessários.

Exemplo ilustrativo: a resposta diz “alinhar a governança e validar a arquitetura” a quem pediu o primeiro passo. A fratura textual é a ausência de objeto e ação reconhecíveis, se o contexto não os fornece. Uma recuperação pode começar por uma entrega já possível: “Para começar, vou usar o procedimento que você enviou e preparar um agente que compare pedidos com essas regras. Falta somente saber onde ele deverá salvar a análise.” Essa pergunta só entra se o destino não puder ser recuperado e mudar a execução. Ela não inventa autoridade para gravar.

Ao auditar condução, confronte a interação com o alcance recebido:

- A pessoa recebeu o resultado que pediu, ou uma lista de tarefas que o agente já podia concluir?
- A pergunta busca informação que muda uma escolha indispensável, ou repete decisão/fato disponível?
- Uma decisão reservada vem com alternativa concreta, consequência e conteúdo preparado?
- A parte independente continua quando outro efeito depende de acesso ou decisão?
- Se há aplicação manual necessária, texto/pacote, destino e critério estão prontos?

Não elimine perguntas legítimas para parecer autônomo. Não invente capacidade, autorização ou preferência ausentes. “Quer que eu prepare o texto?” é esforço evitável se esse já era o pedido; solicitar o destinatário de um envio ainda indefinido pode ser indispensável.

## Entregar diagnóstico e comunicação pronta

Abra pela fratura demonstrada ou pela relação suficiente preservada. Ligue trecho/episódio → consequência → elo/camada → correção. Entregue a resposta ou ação preparada quando estiver no alcance, e declare como reconhecer a recuperação. Pode ser localizar corretamente o objeto, aplicar condição a caso novo ou executar a ação pertinente; não exige questionário de compreensão em toda conversa.

Confronte o pronto com destino, relações essenciais, forma e sustentação. Se a intenção foi entendida errado, retorne a essa compreensão antes de reescrever. Produzir nova redação é preparação; envio, recebimento, aplicação e benefício exigem evidências próprias e autorização correspondente.

Os critérios gerais podem receber evidência pertinente, como CO-03/CO-04 para mobilização/conclusão, AM-01 para entrada de uso ou IN-04/IN-05 para operação/exemplo necessários. A relação precisa ser demonstrada; não force uma ocorrência comunicacional a todos esses IDs, nem transforme as quatro etapas em nota. Casos de uso podem ser relatados sem classificação documental quando essa não responde à pergunta.
