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M03 — Conceber o agente e suas capacidades

Conceber um agente é definir a contribuição que ele assume no sistema e as capacidades que a tornam realizável. O resultado é uma especificação funcional: o que recebe, transforma e entrega; para quem; com que conhecimento e meios; onde decide e onde depende de outra autoridade. Essa especificação precede os arquivos e a escolha de plataforma.

Use a definição do trabalho e da solução em M01, o desenho do ambiente de gestão em M02 e a organização das fontes em M05. Se o pedido já determina construir um agente, preserve essa decisão e investigue a realização suficiente. Um agente existente exige leitura de seu patrimônio antes de reforma.

1. Definir contribuição e responsabilidade

Escreva a identidade pelo trabalho: “recebe estes insumos, realiza esta transformação e entrega este resultado a este destinatário”. Acrescente o que precisa continuar entre ocorrências e o que permite reconhecer sucesso. “Especialista em gestão” indica um campo; “confronta compromissos e evidências de avanço para preparar decisões sobre impedimentos” especifica uma contribuição.

A responsabilidade persistente estabelece o que o agente deve recuperar, produzir e preservar quando acionado. Ela não prova execução espontânea, memória técnica ou acompanhamento entre sessões. Esses mecanismos só existem quando implementados e conferidos. Uma frase que atribui acompanhamento deve explicar como o trabalho retorna e que condição registra.

Delimite interfaces: quem fornece os insumos, quem recebe a entrega, que outro agente pode contribuir e qual autoridade toma a decisão reservada. Dois agentes podem participar da mesma demanda sem assumir a mesma responsabilidade. Se ambos parecem donos da mesma entrega, esclareça condução e contribuição antes de criar duplicação.

2. Separar nível funcional, abrangência e autoridade

O nível funcional descreve o tipo de contribuição. Pode haver direção do conjunto, gestão de um território, coordenação de um processo ou especialidade de produção e análise. São categorias de leitura; a aplicação usa a estrutura do seu contexto. Um título elevado não acrescenta permissão técnica nem autoridade de negócio.

A abrangência descreve sobre quais objetos, processos, usuários e períodos o agente atua. A autoridade descreve quais decisões e efeitos pode realizar. Mantenha os três eixos distintos: um especialista pode editar um artefato autorizado; um agente de gestão pode apenas preparar uma decisão de prioridade.

Para operações materiais, torne explícito o alcance: analisar ou recomendar; produzir artefato; modificar objeto; executar efeito externo. Identifique qual ordem ou regra sustenta a ação e o ponto em que entra uma decisão humana. Não atribua um único grau de autonomia ao agente inteiro quando suas operações têm consequências diferentes. M10 desenvolve o contrato de cada operação.

Não invente mandato a partir de uma necessidade percebida. Se uma mudança de responsabilidade é necessária e não está autorizada, produza a alternativa concreta e sua consequência para decisão. A parte já coberta pelo mandato pode continuar.

3. Derivar capacidades e descobrir contribuições

Percorra as entregas do trabalho, inclusive exceções e passagens. Para cada contribuição essencial, relacione objeto → operação → resultado utilizável → conhecimento e julgamento necessários → meios e continuidade. Uma capacidade deve explicar uma transformação; nome de ferramenta ou documento não basta.

Investigue perguntas que mudam o desenho:

Os procedimentos disponíveis mostram parte do trabalho. Se o mandato inclui planejar, interpretar e melhorar, uma coleção de procedimentos de execução pode ser insuficiente. Explore esses julgamentos com os insumos do domínio; não transforme a ausência de documento em licença para inventar seu conteúdo.

Confronte a primeira composição com uma alternativa que mude o mecanismo quando a escolha tiver consequência relevante. Compilar atualizações e detectar evidência insuficiente antes da reunião são contribuições diferentes. Trocar o nome da ferramenta sem alterar a transformação não constitui alternativa funcional. Após explorar, conserve a complexidade que produz diferença útil.

4. Distribuir repertório, procedimentos, Skills e meios

Escolha a forma depois da contribuição. As formas podem se combinar:

NecessidadeRealização funcionalCritério de suficiência
Julgamento comum a quase toda atuaçãoNúcleo cognitivo de M06 — Escrever a orientação cognitiva do agenteDeve valer mesmo sem uma Skill especializada
Conhecimento especializadoFonte de M04 — Desenvolver a inteligência do trabalho organizada por M05 — Organizar conhecimento compartilhado, fontes e rotasEnsina a perceber, interpretar e operar no domínio
Processo determinadoProcedimento na casa competenteConduz sequência, responsabilidades e exceções do processo
Transformação reutilizável reconhecívelSkill de M09 — Construir Skills a partir do modeloDefine ocasião, entradas variáveis, método e saída utilizável
Consulta atual ou efeito externoMeios de M10 — Compor acessos, ferramentas e operaçõesAlcançam objeto e operação com cobertura e autoridade suficientes
RetomadaEstado, registro ou objeto vigente de M07 — Compor o kit e preservar a continuidade/M13 — Operar, gerir e evoluir o conjuntoPreserva o que muda o próximo movimento

Uma fonte pode sustentar várias Skills. Uma Skill pode aplicar um procedimento e consultar um sistema. Evite classificar essas contribuições como alternativas exclusivas ou criar uma Skill para cada verbo de uma mesma transformação.

Para uma Skill candidata, descreva ocasião, entrada, transformação, saída, inteligência necessária, dependências e fronteira com recursos existentes. Para uma fonte a desenvolver, descreva fenômeno, distinções, critérios e operações faltantes, material disponível e condição de uso. Isso permite construir sem pedir ao usuário que invente as capacidades do próprio agente.

Reutilize conteúdo suficiente e examine recursos vizinhos antes de declarar novidade. Uma contribuição simples pode caber no núcleo ou em um procedimento existente. A suficiência deve ser fundamentada pelo trabalho, sem quota mínima de arquivos, fontes ou Skills.

5. Produzir a especificação comum

A especificação deve permitir implementação equivalente em ambientes diferentes. Ela pode ser curta ou distribuída, desde que conserve estas relações:

ElementoConteúdo necessário
IdentidadeContribuição, destinatários, responsabilidade persistente e critério de sucesso
EscopoObjetos, fronteiras, interfaces e decisões recebidas
CapacidadesOperações, resultados, julgamentos e conhecimento que as sustentam
ComposiçãoNúcleo, fontes, procedimentos, Skills e meios com suas funções
AutoridadeAções cobertas e decisões reservadas por operação material
ContinuidadeO que recuperar, o que preservar e a casa competente
DependênciasInformação, formulação, acesso ou decisão faltantes e parte afetada
ConferênciaCasos e condições que poderiam demonstrar insuficiência

Separe conteúdo recebido, inferência de projeto e escolha recomendada. A especificação não afirma que arquivos foram produzidos ou que o agente foi instalado. Quando a ordem abrange construir, ela é uma passagem: prossiga aos capítulos pertinentes e complete o autorizado.

6. Reformar preservando o patrimônio

Leia a identidade, orientação, fontes, recursos e relatos relevantes do agente atual. Compare responsabilidade declarada, conteúdo disponível e trabalho observado. Preserve IDs, decisões, contribuições úteis e referências fora do recorte. A aparência antiga do kit não é motivo suficiente para recomeçar.

Localize a relação insuficiente: capacidade ausente; conhecimento sem operação; fonte que não entra; acesso inadequado; instrução que bloqueia ação autorizada; entrega que não permite uso; continuidade perdida. Corrija na casa responsável. Uma falha de acesso não exige reescrever a identidade; uma mudança de mandato pede decisão competente.

Antes de substituir conteúdo, registre o que permanece, o que muda e por quê. Conserve a edição necessária à reconciliação e examine consumidores afetados segundo M05 — Organizar conhecimento compartilhado, fontes e rotas/M13. Confira novamente os casos tocados pela reforma. Evite uma reconstrução integral quando o ajuste localizado resolve.

7. Exemplo e conclusão da concepção

Exemplo ilustrativo: uma equipe pede um agente para preparar decisões sobre entregas atrasadas. Recebe compromissos, atualizações e evidências; entrega diagnóstico e alternativas ao gestor. A contribuição exige distinguir atividade relatada de avanço demonstrado, separar causa alegada de causa sustentada e reconhecer o impedimento que exige decisão. O agente não recebe, por esse pedido, autoridade para alterar prazos ou cobrar pessoas.

Pode haver uma fonte de critérios de avanço, uma Skill de análise de atualização e consulta ao registro dos compromissos. Preparar decisão sobre impedimentos só merece Skill separada se tiver ocasião, critérios ou uso próprios; pode integrar a mesma transformação. O Estado preserva a condição da demanda, sem duplicar o registro de compromissos.

Em contraste, um agente que apenas converte notas em registro por um modelo já suficiente pode conter suas distinções no núcleo e aproveitar uma transformação existente. Desenvolver uma biblioteca de inteligências não acrescenta valor demonstrado a esse caso.

A concepção está suficiente quando outra IA consegue explicar como as contribuições cobrem o trabalho, o que será aproveitado ou desenvolvido e o que falta para cada operação. Confronte entregas, interfaces e continuidade com M01 — Compreender o trabalho e enquadrar a solução/M02 — Desenhar o ambiente e o modelo de gestão. Nome de capacidade, lista de fontes ou aprovação textual não demonstra funcionamento; os conteúdos e seus ensaios são realizados nas casas seguintes.